RAZÃO vs EMOÇÃO – Parte 2



Entendendo o Equilíbrio na tomada de decisões




Durante muito tempo, cientistas, psicólogos e um sem número de especialistas cultivaram em nossa sociedade a crença de que as melhores decisões deviam ser tomadas a partir da razão, de um ponto de vista lógico. Resumindo, separar razão da emoção e se apegar apenas a razão. O que eles não previram foi o gasto desnecessário de energia para se colocar as emoções de lado. Um ato inútil, ineficaz e impossível. Tentar separar a razão da emoção é uma ilusão, é frustrante e faz mais mal do que bem.


A psicologia moderna nos apresenta a real solução: casar razão e emoção. Fazer com que as duas tenham um papel importante na vida do ser humano. Assim como dois peritos de áreas diferentes podem se unir para criarem algo maravilhoso juntos, razão e emoção podem e devem usar suas especialidades para criarem um ser maravilhoso.


Separadas, duelam para ficarem juntas. Unidades, trabalham para criar em conjunto. Por exemplo, quando uma pessoa se apaixona, a emoção ganha força e assume o controle das decisões. É perceptível que, durante a paixão, de alguma forma a pessoa se torna “cega” para certas questões, deixando do lado de fora a racionalidade e se tornando como um barco sem vela e leme, sendo levada de uma lado o outro pelo turbilhão de emoções. A história nos mostra que muitos pagaram um preço alto por esta “cegueira”.


Por outro lado, se uma pessoa se envolve com alguém ou até mesmo com algo (trabalho, por exemplo), sem se apaixonar, sem relevar pequenas “fissuras comportamentais”, usando-se apenas da racionalidade, jamais sentirá os efeitos benéficos da paixão (e não me refiro ao amor). Uma pessoa que toma decisões puramente racionais pode apresentar problemas de empatia. Isso porque ela tende a se preocupar com resultados e efeitos sem vivenciar precisamente os estados emocionais. Quantos e quantos racionais chegaram ao fim da vida insatisfeitos com os dias vividos.


Você alguma vez (ou várias vezes) tomou uma decisão baseada na emoção? Ou preferiu se usar da racionalidade? Já isolou a razão e se entregou a emoção? Ou suprimiu o emocional em virtude de uma racionalidade aparente? Não importa a sua resposta... Pois, tanto a emoção quanto a razão isoladas são insuficientes para que possamos tomar decisões equilibradas.


Mas por que a maioria das pessoas preferem tomar decisões com base em apenas uma delas? Como vimos, há quem diga que a decisão certa seria sempre aquela tomada pela parte mais racional, outros (em tempos mais modernos) pela emocional. Porém, isso não é verdadeiro. A verdade é que a maioria das pessoas escolhe aquela decisão que melhor as beneficiam, independentemente das consequências.


Chegamos ao âmago da questão: somos seres movidos por duas forção que colocamos em conflito – a vontade, que age como uma força racional e que nos leva a querer o melhor & o desejo, que atua como um poder emocional e que nos leva a busca inconsequente da satisfação pessoas, o prazer. (As diferenças entre vontade e desejo será tema de outro post).


O uso correto da razão (expressa pela vontade) e da emoção (expressa pelo desejo) sempre estará em pauta. Tanto as emoções quanto a razão sempre farão parte de nossas vidas. É praticamente impossível deletar uma delas. Independentemente de qual delas assuma uma maior influência, a outra continuará “dando pitaco” nas decisões. E isto é bom. Tal é sua importância que são inclusive destacadas como resultado positivo para a saúde mental. A solução está no desequilíbrio entre elas.


O passo inicial para se chegar ao equilíbrio entre as duas tem a ver com a capacidade de percebermos os desequilíbrios nas pessoas e em nós mesmo. Por isso, quanto maior o equilíbrio entre razão e emoção, melhor nossa intuição.


(A intuição é um processo pelo qual os humanos passam, mesmo que involuntariamente e inconscientemente, para chegar a uma conclusão sobre algo. E como seu funcionamento e até mesmo sua existência são um enigma para a ciência, isso faz com que muitos acreditem ser um processo paranormal ou divino (Não estou contradizendo tal alegação). Apesar de já existirem muitas teorias sobre o assunto, nenhuma é dada ainda como definitiva. Por este motivo, o tema Intuição, será abordado em outro artigo.)


Quando estão equilibradas, ambas assumem suas verdadeiras funções: As emoções podem nos ajudar como formas de alarme em situações que não são tão claras ou perceptíveis, como perigos ou medos. E, da mesma forma, a razão ajuda a pesar os prós e os contras de cada decisão.


Precisamos lembrar sempre que o Mundo é perfeito. As leis que o regem são seguidas pela natureza, tornando-o belo, instigante, racional e emotivo. O Mundo possui leis e regras que são suas verdades. Essas verdades são aceitas, respeitadas e seguidas por toda a natureza. Mas os humanos se apartaram da natureza e criaram as suas verdades. (Verdades é tema de um artigo muito próximo). E cada um cria e aceita a verdade que deseja, ou seja, aquela que melhor satisfaz seus desejos. E é exatamente por isso, que diferentemente da verdade imutável do universo, as verdades humanas de hoje, ou até mesmo do agora, talvez não serão as verdades do amanhã.


Por este motivo, mesmo que você queira tomar as decisões mais acertadas, a questão razão versus emoção não deve ser levada como algo tão essencial. Você deve apenas viver...


Para alcançar o ponto de equilíbrio, você precisa deixar que as emoções influenciem os pensamentos racionais. Mas para conseguir isso, você precisa ser capaz de identificar o que sente. Como fazer isso? Experimente as emoções na prática, pois apenas vivenciando-as poderá conquistar a maturidade emocional. O Racional irá se aproveitar da emoção para vivenciar erros e acertos, construindo uma racionalidade equilibrada, uma racionalidade que servirá de apoio a emoção.


Em Resumo: O equilíbrio entre razão e emoção é o resultado da experiência de vida da pessoa e de muitos erros e acertos. Mas como fazer isso sem se perder ou se prender à questão razão versus emoção? Siga algumas dicas do próximo artigo.


Crédito Vídeo: Inner Workings | Proyecto Académico

Link: https://www.youtube.com/watch?v=u-radLHmpQI

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